segunda-feira, 7 de julho de 2008

R.S.V.P.


A internet deixou as pessoas visivelmente mais mal educadas. O exemplo mais significante é o e-mail. Conversei com um amigo (educadíssimo por sinal, seja ao vivo, seja virtual, sempre um gentleman, né João?!):

- A maioria das pessoas não me respondeu ao e-mail... - lamentei, e ele:

- Você pediu resposta? - e eu:

- Claro que não.

Explico: claro que não porque, ao dirigir a palavra a uma pessoa nunca se pede resposta, certo? É automático, não é? Assim deveria ser com o correio eletrônico. Na época dos bilhetes e cartas, raramente alguém ficava sem resposta.

Pessoas, respondam!


p.s:: Ah, a regra não se aplica aos FW.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Chove chuva


Cabelo arrepiado, barra da calça molhada e pés ensopados (Por que não calcei a Melissa? Maldita hora em que coloquei essa sandália de couro!), fora o trânsito que vira o caos. Esses são alguns dos inconvenientes de um dia chuvoso, como tem sido quase todos os dias aqui em Goiânia, ultimamente.

Detalhes à parte, as tais gotinhas que vêm do céu - além de proporcionarem um efeito especial e natural na hora de dormir -, provocam sublime inspiração nos músicos, que acabam compondo canções inesquecíveis, provavelmente ao som de um pé d´água.

Tenho vontade de gravar uma coletânea só com alguns desses hits molhados (Se alguém o fizesse pra mim seria recordado pro resto da vida. Alguém se habilita?). O CD não sairia do player do carro, do computador...E, na bolachinha prateada, com certeza, não iriam faltar...

Raindrops Keep Falling On My Head – BJ Thomas
Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me'
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me
A doce canção de BJ Thomas é absolutamente fofa. Nascido em Houston no ano de 1942, o cara emplacou o hit, que virou tema do filme Butch Cassidy and The Sundance Kid. Ela é perfeita pra ouvir em casa, bem cedinho, preparando um capuccino fumegante. Ou então dentro do carro. Tem efeito terapêutico sobre nervos à flôr-da-pele!

Rain – Madonna
Rain Feel it on my finger tips
Hear it on my window pane
Your love is coming down like
Rain
Wash away my sorrow
Take away my pain
Uma coletânea que se preze tem que ter a eterna material girl Madonna. Em Rain, ela prova que até as divas têm dor-de-cotovelo. Ideal, então, para aqueles momentos de saudade de alguém. Linda como a balada é o clipe, um dos mais bonitos da cantora. Vale a pena ver e rever e rever e rever...até a saudade passar (ou piorar).

Chove Chuva – Jorge Benjor
Chove chuva, chove sem parar, chove chuva, chove sem parar
Pois eu vou fazer uma prece, pra Deus nosso senhor
Para chuva parar de molhar o meu divino amor
Que é muito lindo, é mais que o infinito, é puro e belo inocente
Como a flor
Por favor chuva ruim, não molhe mais o meu amor assim
Da época em que ele ainda era apenas Jorge Ben (Maldita numerologia!) e fazia músicas de fazer qualquer um levantar do sofá e começar a chacoalhar o esqueleto. A sempre simpatia fala com inocência e romantismo sobre a chuva que molha o ser amado. Não é lindo? Para dar replay, replay, replay...

It´s Raining Men – The Weather Girls
It's Raining Men!
Hallelujah!
It's Raining Men!
Every Specimen!
Tall, blonde, dark and lean
Rough and tough and strong and mean
Quem não se lembra do clipe das rechonchudas ´garotas do tempo´, onde, toscamente, homens despencavam do céu? Virou hino gay, mas diverte todas as orientações sexuais. O brazuca Edson Cordeiro e a ex-spice girl Geri Halliwell bem que tentaram em duas versões mais ´mudernas´, mas não conseguiram, nem de longe, chegar aos pés da original.

Only Happy When It Rains – Garbage
I'm only happy when it rains
I'm only happy when it's complicated
And though I know you can't appreciate it
I'm only happy when it rains
You know I love it when the news is bad
And why it feels so good to feel so sad
I'm only happy when it rains
Seria uma das prediletas de meu Rainy Hits. Quando Shirley Manson, a bela vocalista do Garbage, grita, eu a acompanho aos berros dentro do carro, com os vidros devidamente fechados. A música é agressiva, melancólica, arrebatadora, enfim, perfeita para uma sessão de ´descarrego´ em seu automóvel. Não se importe se alguns colequinhas, no semáforo, acreditarem piamente que é louca. Faz parte do ritual.

Cryin´In The Rain – A-Ha
I’ll never let you see
The way my broken heart is hurting in me
I’ve got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I’ll do my crying in the rain
A original, gravada pelos The Everly Brothers na década de 60, virou trilha sonora de comercial de chocolate nos anos 90, mas nem por isso me fez deixar de preferir a versão dos noruegueses do A-Ha. Tudo por causa da voz etérea de Morten Harket (Mesmo tendo eu, no auge do sucesso do grupo, tendo preferido o tecladista Magne Furuholmen).

It´s Raining Again - Supertramp
It's raining again
Oh no, my love's at an end
Oh no, it's raining again and you know it's hard to pretend
Oh no, it's raining again
Too bad I'm losing a friend
Oh no, it's raining again
Bonitinha, mas entraria já no final do CD. Tudo apenas porque ela me faz lembrar do clipe bonitinho, onde o casal se beijava na chuva. E, no sofá, um bando de meninas ainda na pré-adolescência, suspirava imaginando como seria tocar os lábios de um menino debaixo do maior toró. Ai, ai.

November Rain – Guns And Roses
So if you want to love me
Then darlin' don't refrain
Or I'll just end up walkin'
In the cold November rain
Do you need some time...on your own
Do you need some time...all alone
Bom…Nessa época Axl Rose não era aquele senhor balofo que vimos pela TV no Rock in Rio 3, mas um lindo galã de cabelos longos e louros, que encantava as adolescentes da época com sua atitude rock n´ roll. Os anos passaram para ele, mas não para a música, que só tem um defeito: é muuuuuuuuito longa.

Have You Ever Seen The Rain - Creedence
I want to know:
Have you ever seen the rain?
I want to know:
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?
Have you ever seen the rain?
Have you ever seen the rain?
Have you ever seen the rain?
Have you ever seen the rain?
A canção folk foi gravada e regravada por um monte de gente, incluindo os Ramones, Dr. Sin e até a breguíssima Bonnie Tyler, entre outros. Nesse caso, ao contrário de Cryin´In The Rain, fico com a original. Faz todo mundo pensar se alguma vez na vida prestou atenção na chuva e toda sua beleza ali, pronta para ser apreciada.

Kaya - Bob Marley
I feel so high I even touch the sky
Above the falling rain
I feel so good in my neighborhood
So here I come again
I got to have kaya now, got to have kaya now
I got to have kaya now, for the rain is falling
Não gosto de reggae, mas abro uma honrosa exceção para Bob Marley. Como sempre suas músicas falam de paz, harmonia, enfim, dos princípios que norteiam o rasta. Pra ouvir não só com os ouvidos, mas com o coração. E, quem sabe, ficar mais perto de Jah.

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Texto originalmente publicado no aposentado Rosapunk, alguns anos atrás. Republico porque chuva é o que não falta por aqui.
Ah, hoje eu acrescentaria Singin' in the rain, com Gene Kelly ou com Jamie Cullum. Pela falta posto a foto do primeiro...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Butterflies e todo o resto


Qualquer coincidência é mera semelhança...
(T.a.m.q.t.)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

One, two, three, four!

O tempo sempre passa rápido demais. Ou sou eu quem insiste em correr enquanto paradinho ele está? Ah, quero muito. Muito. Tudo ao mesmo tempo agora (já diziam os Titãs quando eles eram mais combativos... O que a idade não faz? Faz bem, ora! Deixa eles tranquilos como estão). Metereologia promete entre 13 a 30 graus, mas o dia nublado não me anima. Mezzo cinza, mezzo bege, sem nuance alguma. Já escrevi dois livros. Falta plantar uma árvore e ter um filho. Tô aprendendo a jogar capoeira (na Europa, poizé). Tenho saudade imensa dos dois melhores pais do mundo. Dos dois melhores irmãos do mundo. Dos dois melhores amigos do mundo. Dos dois melhores cachorros do mundo (Sol, você não sabe, mas você vai ter que me dividir com o Chefe, que já deve existir na barriga da mãe dele). Adoro unhas vermelhas. Som alto. Você segurando minha mão enquanto dorme. Ah, você. Você eu amo.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ontem mesmo a gente compunha aquela música, lembra? Na garagem de chão vermelho daquela casa de conjunto, onde se foi tão feliz. Ela ia fazer muito sucesso (para que mais que duas frases, né? Toma. Me dá) e a gente ia ficar milionário. A gente também ia fundar um banco e construir um avião. De ontem para hoje ganhamos alguns centímetros (eu poucos, você muitos) e (ainda) não somos endinheirados. De ontem para hoje apareceu muita água nos separando. Por pouco, né? Logo você estará aqui, logo eu estarei aí. Logo, logo. Quisera eu poder adiantar o relógio e te ter do meu lado, pra te ouvir reclamar do meu excesso de carinho. Coisa de irmã, mais velha. Coisa de sangue, DNA. Código genético esse nosso que faz lágrima rolar pelo rosto à toa à toa. Ainda bem que ele mesmo permite que a gente nem se importe. Deixa que a gente chore no portão de casa (aquela casa onde a gente já não vive, mas será sempre a nossa casa) se despedindo mais uma vez. Permite que a gente brigue e faça as pazes imediatamente. Libera todo e qualquer tipo de piada, confidência. Faz sentir saudade, sempre e muita. Mas faz também ter a certeza de que será assim pra sempre. E nada me faz tão feliz, Alexandre.

p.s.: Quero a foto da gente, ainda pequenininhos, escaneada, tá?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tenho saudade de você quando tomo sol e sonho em ter a pele da cor da sua. Tenho saudade de você quando o computador 'emperra' e você não está por perto pra me salvar do Windows. Tenho saudade de você quando vou fazer compras e não tem você no provador em frente pra palpitar. Tenho saudade de você às 15 horas do domingo à tarde, quando o shopping abria e a gente ia correndo comprar algo apenas para... comprar algo. Tenho saudade de você ao chegar de madrugada e não ter você pra acordar contando da noite quase finda. Tenho saudade de você quando toca Stayin' alive e lembro que a gente assistia Os embalos de sábado à noite comendo uma meleca feita de côco ralado e leite. Tenho saudade de você quando estou desesperada sobre alguma coisa e tudo que mais queria era te ouvir dizer: - Você que sabe, Andrea. Tenho saudade de você assisto Friends e não tem você ao lado pra filosofar se o Ross é um idiota ou um fofo. Tenho saudade de você quando ouço alguém tocando piano e sei que minha irmã também. Tenho saudade de você quando tomo capuccino de manhã e não tem você pra me dizer que eu devia comer direito. Tenho saudade de você, Amanda.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Vizinhos

O ruído da torneira aberta entrega que tenho vizinho novo do lado esquerdo. Já era tempo. Há muito cansei de fingir que o casal do lado direito não existe. Ignoram as tentativas de cumprimentá-los, para puxar qualquer conversa nonsense que seja (Ei, esse tempo, hein? Quanta chuva). São solenemente ignorados meus simpáticos olhares de soslaio e charmosos (Talvez nem tanto, concluo agora) semi-sorrisos. De nada adianta. Mas quando as cortinas amarelas de estampa de gosto duvidoso se abrem, eles existem. E como. Despudoradamente, com a sem-vergonheza digna de um casal de película erótica. Ela, loira oxigenada, lá pelos seus 40 anos, geme com a expertise de uma atriz pornô. Dele, na mesma faixa etária, sempre com cara de nada amigos, a única coisa que se pode ouvir foi um Was ist?, quando uma convidada (Minha, claro) se atreveu a espiar pela janela, devidamente escancarada durante uma das exibições (Educativas, assumo) Talvez por isso o estudante que do quarto ao lado esquerdo tenha sumido em tão pouco tempo. Bobagem. Lembro perfeitamente da noite em que ele chegou. Reclamou que o estúdio (estúdio = kit composto quarto minúsculo contendo cozinha menor ainda e banheiro) era muito quente. Talvez a temperatura estivesse mesmo fora de ordem no quarto do rapaz e ele tenha morrido desidratado numa noite dessas. Eu expliquei que deixo a janela aberta, 99% das vezes. Depois do contato cortês ele desaparecera. Talvez tenha mesmo morrido e sido retirado pela Polizei e eu deixei passar despercebido. Apenas a bicicleta e uma pequena moto continuam na porta do quarto, levando por água abaixo a tese de que s duas pertenciam ao casal de italianos que antes lá moravam. Ah, esses sim. Esses se faziam presentes. Disputavam a minha atenção com o casal do lado direito. Já na casa dos 60, eles marcavam território com o som da televisão sempre ligada e os diálogos em tons quase sempre calorosos. A parte masculina, quando a feminina saia para trabalhar, passava quase que o tempo todo no pátio lustrando sua Mercedes. Oh ieah, viviam num casulo semelhante ao meu mas tinham um carro de luxo para carregá-los para lá e para cá. Mas agora voltemos ao que interessa: quero saber quem acabou de chegar. Os ruídos cessam. O vizinho deve ter ido dormir. E eu deveria fazer o mesmo. Há dias sou surpreendida por uma insônia insistente. De onde vem essa energia extra que não pedi? Até o energy drink aposentei, diante de tantas afirmativas sobre os malefícios da taurina e outros termos químicos com sufixo -ina.Whatever. Vamos ver no que dá.